Você não está sozinho.

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1. Por que o jovem “sofre” mais nos dias de hoje?

Várias pesquisas apontam para uma geração que sofre mais. Ansiedade, depressão, problemas de autoestima, transtornos alimentares, automutilação e suicídio são questões cada vez mais comuns hoje em dia. Os culpados? Talvez uma combinação de fatores, entre eles: a perda ou distância dos vínculos familiares, as transformações sociais e a maior autonomia (que exige mais responsabilidade), além do uso mais pesado da tecnologia (com maiores riscos de dependência, cyberbullying, comparações exageradas, rejeições seriadas, vazamento de imagens e mensagens íntimas, entre outros).


2. Por que as garotas, mais do que os garotos, estão expostas a transtornos mentais?

As meninas (principalmente as mais novas, de 10 a 15 anos) parecem ser particularmente sensíveis a esse “massacre” das redes. Elas são alvo mais frequente de pressões por um padrão de beleza e de sucesso considerado ideal, com metas amorosas, sexuais, de imagem corporal e de dinheiro, muitas vezes, inatingíveis. A pressão para que a mulher seja perfeita e tenha um “comportamento exemplar” que já existe na sociedade, parece ser ainda mais potencializada pelo uso pesado das redes. Não é à toa que mais transtornos mentais acontecem com elas. Quanto mais nova, mais difícil de lidar com essa pressão que vem por todos os lados.


3. Por que a população LGBTQ+ é mais vulnerável a transtornos emocionais?

A população LGBTQ+, além de ter que lidar com preconceitos, bullying e violências quase que diários, também enfrenta, em muitas situações, uma falta de acolhimento da família. Além disso, pode ter que lutar contra o que se chama de “preconceito introjetado” (de tanto ouvir falar que ser “gay”, “lésbica” ou “trans” não é legal, a pessoa acaba tendo muito mais dificuldade em se aceitar). Com tudo isso, a autoestima pode ir lá pra baixo e, essa galera acaba ficando muito mais exposta a problemas emocionais. Bom lembrar que as redes sociais podem ampliar esses problemas. Por outro lado, é justamente em algumas dessas redes, que essa população mais vulnerável encontra grupos de apoio, de discussão e de empoderamento.


4. Bullying aumenta risco de problemas emocionais?

Sem dúvida! O bullying, principalmente quando acontece com frequência, pode fazer com que a autoestima e a autoconfiança dos jovens sejam abaladas e, com isso, o risco de ele enfrentar problemas emocionais aumenta muito. E isso não acontece só durante a adolescência, não! Muitos jovens expostos a bullying crônico podem carregar esse “peso” pelo resto da vida, com maior risco de transtornos emocionais, dificuldades de relacionamento, problemas em alcançar sucesso profissional, questões de saúde e risco de suicídio. Bullying não é nem um pouco bacana e as escolas e famílias têm que se ocupar dessa discussão.


5. Família ajuda ou atrapalha nessas horas?

Família deveria ajudar, funcionando como uma espécie de porto-seguro do jovem. A família que conversa mais, que permite diálogos sobre as mais diversas questões de comportamento, acaba funcionado como uma proteção contra os impactos gerados pelo bullying, pelo preconceito e pelas diversas formas de violência. Muitas vezes, a família não consegue evitar a exposição do jovem aos fatores geradores de estresse e de instabilidade emocional, mas ela pode fazer com que esse indivíduo se torne mais “resiliente” (tenha uma maior resistência) a essas pressões. Quando os pais não funcionam dessa forma, é essencial que o jovem consiga construir pontes com outras redes de apoio (a escola, os amigos, o grupo social, outros membros da família). Enfrentar tudo sozinho é muito mais difícil.


6. Não falo com meus pais sobre o que sinto. Com quem posso conversar?

Colocar um problema para fora, falar de uma dificuldade emocional com alguém que você gosta ou em quem confia, faz toda a diferença. Quando os pais não conseguem ouvir ou quando você não consegue falar com eles sobre isso, é importante que esse diálogo aconteça com alguém. Essa pessoa pode ser uma professora, um parente mais próximo, amigos, enfim, alguém em quem você possa se apoiar. Em muitos casos, a ajuda profissional de um terapeuta (psicólogo ou psiquiatra) também pode ser muito útil para ajudar você a criar e confiar em seus “canais de comunicação”. A história vale do outro lado também. Se você tem um amigo que precisa de ajuda, ajude. Só ouvir o que ele tem a dizer e estar ao seu lado quando ele precisar podem fazer uma grande diferença na saúde emocional dele.


7. Qual a diferença entre tristeza e depressão?

Tristeza é um sentimento que todos nós enfrentamos em alguns momentos da vida. É uma reação normal e esperada a situações como rompimentos, perdas, separações, morte de alguém querido, finais de relacionamento, doença, desemprego, etc. A grande diferença é que na depressão, essa tristeza parece não ter fim. Ela dura muitos meses e causa um sofrimento muito grande. A pessoa pode se sentir desiludida, sem esperança, sem energia para lutar. Ela não sente prazer em atividades potencialmente prazerosas, tem uma queda em seu desempenho escolar ou profissional e, ainda enfrenta problemas de sono, apetite, lentidão de raciocínio, atenção, concentração, memória, irritação, etc. Enquanto tristeza pode ser uma reação de adaptação, a depressão é uma doença que merece atenção, cuidado e tratamento.


8. Como sei que posso estar deprimido?

Dê uma olhadinha nos sintomas que a gente descreveu na pergunta anterior e tente entender quais e quantos deles estão acontecendo com você. Pense bem e dê uma nota de “0” a “10” a como você está se sentindo. Imagine que “10” é o seu basal (como você se sente em um dia que está normal, bem) e “0” é o pior cenário em que você pode se encontrar. Qual sua nota? Quanto mais baixa a nota, maior a chance de você estar entrando em depressão, principalmente se essa é uma tendência que vem acontecendo há muitas semanas ou até meses. Quem tem história de depressão na família corre maior risco, bem como pessoas que já tiveram outras fases de depressão. A depressão “mina” a capacidade da pessoa enxergar um futuro e de sentir prazer ou felicidade. Se perceber que isso está acontecendo, não perca tempo e grite por ajuda.


9. Tenho medo de me expor em público. Entro em pânico! O que posso fazer?

Você pode estar enfrentando o que a gente chama de “fobia social”, um dos transtornos de ansiedade mais comuns entre os jovens. Medo de ser avaliado, de ser julgado, de ficar exposto, tudo isso acaba gerando uma reação aguda de ansiedade que pode levar a sintomas como taquicardia, sudorese, mal-estar, dificuldade de se falar e de se expressar, náusea, dor de barriga e até desmaios. Muitas vezes a pessoa passa até a evitar situações que vão gerar exposição, como sair na rua, ir na frente da classe apresentar trabalhos, falar em público, etc. Como esse quadro, outros transtornos da ansiedade (síndrome do pânico, TOC, ansiedade generalizada e outras fobias) são mais comuns hoje em dia. O Brasil é um dos países mais ansiosos do planeta. Para tratar, é importante o acompanhamento de um especialista (terapeuta, psicólogo, psiquiatra). Muitas vezes, medicamentos são necessários. Lembre-se: se você não está bem, procure ajuda! Não fique em casa sofrendo sozinho!


10. Uma amiga tem se cortado e esconde os cortes usando manga comprida. Tenho medo que ela tente suicídio. Como posso ajudar?

Que bom que você se preocupa com ela e está disposta a ajudar. Hoje em dia, muita gente está tão preocupada com si mesma, que tem uma tremenda dificuldade em olhar para o lado e perceber que alguém que você gosta pode estar sofrendo. E você tem razão: quem se automutila tem maior risco de cometer o suicídio. Abra seu coração para sua amiga. Mostre que você está preocupada com ela e quer ajudar (só estimular sua amiga falar sobre seu sofrimento já é um grande passo). Não cobre, não julgue, não avalie. Não é disso que ela precisa. Ouça, demonstre afeto, reforce o quanto você gosta dela e está disposta a ajudar. Mesmo que você não consiga resolver tudo sozinha (o que é bem comum nessa situação), se ofereça como uma ponte para que ela possa procurar ajuda de um adulto, de alguém em quem ela confia ou até de um profissional da área da saúde mental. Tudo isso faz toda a diferença!

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